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Dados e movimentos sociais

A produção de dados pelos movimentos sociais trazem análises, cruzamentos e extração de informações com modelos a partir das demandas e objetivos destes movimentos. Cumpre um papel importante no sentido de registrar, denuncia e divulgar informações sobre conflitos e violências sofridos pelos diversos sujeitos sociais e organizações populares, como também as vitórias e conquistas. Informações que na maioria das vezes não estão facilmente acessíveis, ou nem mesmo estão registradas nos sistemas governamentais de dados.

Seguindo este caminho existem algumas iniciativas de sistemas de disponibilização de dados voltados para os movimentos sociais como o Intermapas, o Conflitos Ambientais, Agroecologia em Rede, Proprietários do Brasil, Donos do Congresso, Donos da Mídia, entre outras. O Agroecologia em Rede por exemplo é um sistema de informações sobre iniciativas em agroecologia organizado por três redes que atuam no campo da agroecologia. É composto por um banco de dados de experiências, pesquisas no campo, além de um banco relativo a pessoas, movimentos sociais, grupos e redes. As possibilidades de pesquisa incluem dimensões como localização, identidades e sujeitos, instituições, grupos, áreas temáticas como saúde, sementes, sistemas Agroflorestais e seus sub-temas.

Uma outra iniciativa de produção de dados por movimentos sociais é o trabalho realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), com os cadernos de Conflitos no Campo no Brasil. Publicados anualmente desde 1985, estes dados foram sistematizados como forma de denunciar esta realidade, registrando conflitos por terra, expulsões e despejos, e os diferentes tipos de violência cometidos contra as pessoas, como assassinatos, ameaças de morte e prisões. Reúnem tembém dados sobre trabalho escravo, conflitos pela seca e manifestações envolvendo distintos temas. Os dados são obtidos por meio de pesquisas realizadas pelos próprios agentes dos Regionais da CPT, e pela reunião de documentos e informações fornecidos por sindicatos, igrejas, movimentos sociais e outras organizações ligadas diretamente aos trabalhadores. Outro meio são levantamentos feitos em revistas, jornais e publicações diversas de partidos e órgãos governamentais, entre outros.

O processo de geração de dados é permeado por escolhas, intencionalidades e pressupostos ideológicos. Não são elementos neutros e precisam ser problematizados ao serem analisados ou quando forem utilizados para a geração de novos dados. Nesse processo é preciso considerar as condições e contextos em que foram produzidos ou colhidos, o que pode resultar em resultados que muitas vezes podem não estar retratando a realidade. Ter cada vez mais movimentos sociais protagonizando esse processo é essencial na geração e obtenção de dados que ajudem como ferramentas de luta e dialoguem com a realidade.